Edição histórica do Rock in Rio teve um grande nome do R&B como headliner
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Na primeira edição do festival, em 1985, o cantor e guitarrista norte-americano George Benson foi a principal atração do segundo dia.

É inegável a força que o R&B carrega na história da música mundial. Grandes artistas construíram suas carreiras e marcaram gerações a partir do gênero e, embora a cena nacional só esteja vivendo seu momento de maior ascensão agora, o Brasil abraça o R&B há décadas por meio de nomes internacionais que conquistaram o público brasileiro. Essa conexão já podia ser vista na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, quando o festival escolheu George Benson como headliner do segundo dia, colocando um dos maiores nomes do R&B, soul e jazz entre as principais atrações de sua estreia.
Nascido em Pittsburgh, no estado da Pensilvânia, George Benson cresceu em uma família onde a música sempre fez parte da rotina. Aos 10 anos, em 1953, gravou seu primeiro single, "She Makes Me Mad", pela RCA. Ainda na juventude, consolidou-se como guitarrista de jazz e, aos 21 anos, lançou seu álbum de estreia, The New Boss Guitar of George Benson (1964).
A grande virada de sua carreira, no entanto, veio mais de uma década depois. Com Breezin' (1976), seu 15º álbum de estúdio, Benson expandiu sua sonoridade ao incorporar elementos do R&B, soul e pop ao jazz. O disco alcançou o topo das paradas, rendeu o sucesso de "This Masquerade" e lhe garantiu os primeiros Grammys. No ano seguinte, foi o primeiro artista a gravar "The Greatest Love of All", canção composta para o filme The Greatest, cinebiografia do boxeador Muhammad Ali. Anos depois, a música ganharia projeção mundial na voz de Whitney Houston.

Consolidado como um dos artistas mais populares da música norte-americana, Benson seguiu explorando a fusão entre jazz, pop e R&B em álbuns como Give Me the Night (1980), In Your Eyes (1983) e 20/20 (1985). Foi nesse momento de enorme sucesso comercial que desembarcou no Brasil para integrar a histórica primeira edição do Rock in Rio. Em 14 de janeiro de 1985, subiu ao palco ao lado de artistas como Moraes Moreira, Alceu Valença e James Taylor.

Em entrevista ao Estadão, em 2014, o fundador do festival, Roberto Medina, revelou um episódio curioso envolvendo George Benson. Segundo ele, ao descobrir que se apresentaria para cerca de 200 mil pessoas, o músico entrou em pânico. "Quando ele soube que ia ter 200 mil pessoas ali, começou a beber, em pânico. Entrou bêbado para fazer o show. Quando acabou, na imaginação dele havia sido um grande desastre. Disse que voltou ao hotel firmemente decidido a se matar, a se atirar da janela do Rio Palace Hotel. Não teve coragem, adormeceu. Quando acordou, havia muita gente na porta do hotel gritando o nome dele. Se informou e viu que tinha sido um grande sucesso. Para você ver o impacto que é você entrar num negócio daquele tamanho", relembrou Medina.
De acordo com o empresário, a história foi contada pelo próprio Benson durante sua segunda participação no Rock in Rio, em 2013. Na ocasião, o artista se apresentou no Palco Sunset e reencontrou o cantor brasileiro Ivan Lins, com quem havia dividido o palco na edição inaugural do festival, em 1985.
Hoje, aos 83 anos, George Benson permanece na ativa. Com mais de seis décadas de carreira, dez prêmios Grammy e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, o artista consolidou um legado que atravessa o jazz, o R&B, o soul e o pop. Sua participação na primeira edição do Rock in Rio permanece como um dos capítulos mais simbólicos da relação do festival com a black music, evidenciando que o gênero já ocupava um espaço de destaque na história do evento desde o seu início.



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