‘Falar de dentro para entender o que vem de fora’: BaianaSystem e a Independência da Bahia como resistência viva
- 2 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
A memória da libertação ecoa nas sonoridades e territórios do BaianaSystem,
reafirmando Salvador como centro de criação, afeto e luta.

No dia 2 de julho, a Bahia celebra a sua Independência, não só como um marco
histórico da expulsão das tropas portuguesas em 1823, mas como um símbolo vivo de resistência, pertencimento e identidade cultural. E poucos artistas traduzem essa força de maneira tão visceral quanto o BaianaSystem.
Em entrevista à RNB Brazil no Festival Sensacional, o vocalista Russo Passapusso
relembra a escolha da banda de permanecer em Salvador, não como um gesto
geográfico, mas como uma decisão afetiva, política e estética.
"O não sair é não sair do peito para compor, pela memória afetiva”, declara Russo.
Para o grupo, Salvador não é apenas base. É raiz. É chão que reverbera nas batidas, nas imagens e nas letras. É o ponto de partida para dialogar com outros
territórios, tendo Salvador como aldeia e, ao mesmo tempo, espelho do mundo.
A banda baiana criou uma cartografia própria. A cidade alta e a cidade baixa deram origem a novas cidades simbólicas, como Itaparica, onde nasceu o disco “O Futuro Não Demora”, e Cachoeira, que aparece como referência em “O mundo dá voltas”. Esses lugares não são só cenários, mas parte do corpo do grupo.
"A gente quando se diz com O Mundo Dá Volta vai entender que esse mundo reflete a nossa aldeia. Então é uma ideia forte, né? É uma energia forte que não sai do nosso corpo para compor. Essa permanência não é estagnação. É a raiz que se espalha e conecta. É também uma forma de desafiar o eixo-sul do mercado musical brasileiro, de reafirmar o protagonismo negro e nordestino, de reconfigurar o que se entende por centro cultural”, afirma o vocalista.
No 2 de Julho, o grito da Bahia continua ecoando. Seja nas ruas de Salvador ou nas caixas de som pelo Brasil e pelo mundo, o BaianaSystem lembra que independência também se constrói com arte, com território, com memória e com som.
por Marielli Patrocínio para RNB Brazil.

Marielli Patrocínio é jornalista com formação em Comunicação Social, especializada em Jornalismo de Moda, Comportamento e Cultura. Consultora de estilo disruptiva, modelo e comunicadora territorial, fala sobre tendências de comportamento, moda e autoestima da mulher negra, moda consciente, cultura popular e sociedade. Criadora de conteúdo do “Acredita Bunita” desde 2020 e podcaster do “Já tô com a roupa de ir”. Integra a Diretoria de Igualdade Étnico-Racial da Associação Brasileira de Imprensa e a equipe de comunicação do Rena Cultural, do tradicional Clube Renascença, reforçando seu compromisso com equidade e transformação social.




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