top of page

Frostty Beats: do beat às pistas, construindo um novo espaço para o R&B no Brasil

  • há 23 minutos
  • 6 min de leitura

Nos últimos anos, Frostty Beats se consolidou como um dos nomes mais importantes quando o assunto é R&B, Trap e cultura alternativa nas pistas brasileiras. Entre produções autorais, sets que passeiam entre o clássico e o contemporâneo e festas temáticas que transformaram referências como Kanye West, Tyler, The Creator, Drake e Brent Faiyaz em experiências coletivas, o artista vem ajudando a expandir os limites da cena nacional.


Em entrevista exclusiva ao RNB Brazil, Frostty fala sobre sua trajetória, o processo criativo, o crescimento do R&B no Brasil e os próximos passos de uma carreira que conecta produção musical, curadoria e comunidade.



RNB Brazil: Todo artista tem aquele momento que muda tudo. Qual foi o seu primeiro contato com o Hip-Hop e o R&B que despertou a vontade de produzir música? E como nasceu o projeto Frostty Beats?


Frostty Beats: 


Sempre estive conectado ao R&B e ao Hip-Hop por serem os meus gêneros favoritos. Acredito que isso tenha acontecido porque cresci em uma família completamente eclética, que me ensinou a respeitar a música quase como uma religião.


Trabalhar com música sempre foi um sonho. O projeto como beatmaker, que foi o início de tudo, nasceu em 2019, quando eu ainda estava no ensino médio e desenvolvia um projeto de rádio na minha antiga escola. Nos intervalos das aulas, eu criava algumas programações com músicas que sempre giravam em torno do R&B e do Hip-Hop. Essa época gerou em mim a necessidade de desenvolver algumas habilidades no FL Studio e, consequentemente, começar a criar beats e projetos que expressavam os meus sentimentos através dos instrumentais.



RNB Brazil: Antes de conquistar espaço nas cabines, você já construía sua identidade como produtor. Como aconteceu essa transição para o trabalho como DJ? Em que momento percebeu que tocar suas referências também fazia parte da sua expressão artística?


Frostty Beats: Comecei fazendo as minhas quatro primeiras apresentações apenas com um computador e um arquivo em MP3 com mais de duas horas de duração, que reunia algumas músicas de que eu gosto e algumas produções minhas. Desde o início, estabeleci que as minhas apresentações seriam sobre o meu gosto musical e sobre conquistar pessoas que admiram as mesmas faixas que eu — partindo das mais melancólicas e profundas até as mais dançantes e conhecidas.


Percebi que isso fazia parte da minha expressão artística quando comecei a sentir que o público vibrava da mesma forma quando eu tocava músicas mais sentimentais que não são comuns em festas. A partir disso, virou uma chave na minha cabeça: a de não fazer das Noites Especiais um momento efêmero onde estamos todos apenas curtindo, mas sim um espaço para compartilharmos do pior ao melhor sentimento juntos.



RNB Brazil: Sua sonoridade transita entre R&B, Trap, Soul e outras influências sem perder a personalidade. Como você definiria a identidade do Frostty Beats e o que nunca pode faltar em uma produção ou set assinado por você?


Frostty Beats: Eu definiria como uma personalidade sentimental e profunda, que tem algo além da música para transmitir. Durante os meus sets e álbuns, me inspiro muito nas estruturas das obras das minhas referências. Todos nós sabemos que os melhores álbuns e shows têm uma pausa para as faixas mais sentimentais, onde os artistas abrem o coração. Nos meus shows e projetos, acho impossível deixar isso de fora, pois é o momento em que mais me conecto com o público e comigo mesmo.



RNB Brazil: Produzir música e comandar uma pista exigem sensibilidades diferentes. Quando você está criando uma faixa autoral, como "PERPLEXITIES" ou "Self Reload", o ponto de partida costuma ser um sample, uma sequência de acordes, a bateria ou a busca por uma emoção específica?


Frostty Beats: Sempre uma busca pela melhor forma de expressar uma emoção ou revolta específica. Minhas músicas são muito sobre meu desenvolvimento pessoal, minha visão sobre a sociedade e dificuldades emocionais que passei durante a vida.

Durante o processo de produção, sempre me deparo com referências instrumentais do Kanye West, Tyler, The Creator, Frank Ocean e Brent Faiyaz. Diria que são as minhas maiores referências para a criação de uma música.




RNB Brazil: As "Noites Especiais" se tornaram uma marca do seu trabalho e ajudaram a criar um espaço para quem realmente consome essa cultura. Como surgiu a ideia de dedicar noites inteiras a artistas específicos e você imaginava que o formato teria essa repercussão?


Frostty Beats: A ideia nasceu da minha necessidade de escutar mais músicas dos artistas que gosto nas festas de São Paulo e de conhecer mais pessoas com um estilo musical semelhante ao meu. Sempre soube que um dia teria uma boa repercussão, pois acredito muito que sonhos se tornam reais quando você tem um propósito genuíno e se dedica a ele diariamente, mas nunca imaginei que aconteceria tão rápido.



RNB Brazil: Durante muito tempo existiu a ideia de que o R&B era um gênero "para ouvir em casa", mas suas festas mostram o contrário. O que faz um set de R&B funcionar na pista e manter o público conectado durante horas?


Frostty Beats: A conexão com o público e a forma como você apresenta essas músicas. Existem faixas no R&B que funcionam perfeitamente para as pessoas conversarem enquanto a pista ainda está enchendo, da mesma forma que existem músicas que funcionam muito para todo mundo cantar em coral no ápice da noite.


Quando tenho uma Noite Especial mais dedicada ao R&B, pelo menos no início da noite, reproduzo as faixas que mais tenho escutado e que geralmente não são tão conhecidas. É sempre bom ver o pessoal conversando e curtindo o som ao mesmo tempo.




RNB Brazil: Você circula entre cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Existe diferença na forma como cada público consome R&B e Trap ou você acredita que a cultura já conversa da mesma maneira em diferentes regiões?


Frostty Beats: A cultura conversa da mesma maneira. Isso é engraçado porque, na primeira vez que fui ao Rio de Janeiro, fiquei apreensivo exatamente por essa dúvida. No final, o que muda um pouco é apenas a forma como o evento é digerido, por serem estados diferentes, com realidades e costumes próprios.


RNB Brazil: O R&B brasileiro vive um momento de crescimento. Como alguém que acompanha essa evolução de perto, qual é a sua visão sobre o cenário atual e o que ainda falta para o gênero conquistar espaço no mainstream sem perder a identidade?


Frostty Beats: O R&B nacional tem muita identidade, e acredito que essa seja a chave do crescimento. Porém, percebo que muitos artistas que têm o Hip-Hop como prioridade acabam lançando faixas de R&B de forma secundária. A chave para o gênero seria dar prioridade ao R&B também e falar mais sobre ele.

Se pararmos para pensar, boa parte dos maiores sucessos do BK', do Baco Exu do Blues, do Djonga, do 2ZDinizz e de muitos outros artistas do Hip-Hop são músicas com teor de R&B em instrumental e composição. No Brasil, ainda podemos estar numa fase em que "Hip-Hop e R&B é tudo a mesma coisa", porque talvez poucos falem sobre como os dois são semelhantes, mas possuem importâncias e histórias distintas. A geração do underground que tem isso como foco vai demonstrar essa diferença com o tempo. É assim que os gêneros se consolidam.


RNB Brazil: Ao longo da sua trajetória você colaborou com diversos artistas da cena independente. Se pudesse escolher um feat dos sonhos hoje, quem seria o nome brasileiro e o internacional?


Frostty Beats: Como feat brasileiro, sem dúvidas escolheria o BK' — não apenas por achar que ele é o maior no momento, mas pela forma como explorou a produção musical e as nossas raízes brasileiras através dos samples e ritmos em ICARUS, gerando repercussão na música e na imprensa por meses.

Na cena internacional, escolheria o Smino. Poucos sabem, mas quando falamos de identidade musical, ele é minha maior inspiração. Além de ter se inspirado no Brasil em muitas produções, ele tem uma identidade sonora focada em timbres mais "macios" e baterias que saem do padrão da teoria musical, o que acho genial.


RNB Brazil: Olhando para tudo o que você construiu até aqui, quais são os próximos capítulos do Frostty Beats?


Frostty Beats: Tenho muitos projetos para lançar: sets gravados, parcerias, álbuns e mais conteúdos audiovisuais. Neste momento, estamos fechando nossas primeiras parcerias e focando muito na Frostty's Vision, para que o público compreenda um pouco mais do carinho que existe por trás das Noites Especiais.

Eu e minha equipe estamos trabalhando para expandir o projeto para o Brasil inteiro e até para outros países. O objetivo é não parar e disseminar ainda mais o sentimento de paz e amor que vivemos em cada edição. Todos merecem sentir isso.




 
 
 

Comentários


© 2023 | Ananda Savitri

RNBbr-Logo-Branco.png
  • Instagram
  • TikTok
  • Twitter
bottom of page