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Letzya deixa o nome Nega para trás e se apresenta com “Loucura”

há 18 minutos
3 min de leitura

Cantora de Resende (RJ) retoma a carreira de forma independente e lança uma música sobre desejo, química e entrega.



Letícia começou a cantar na igreja, em Resende, no interior do Rio de Janeiro. Por anos, o público a conheceu como Nega. Agora ela volta à música com um nome novo, Letzya, e uma carreira independente, conduzida no próprio tempo. O primeiro passo dessa fase é “Loucura”, single sobre atração, intensidade e aquela conexão que tira a gente do normal.


Uma criança que sonhava alto

Antes do nome e do palco, havia uma menina com o apelido de Alice no País das Maravilhas. “Eu sempre fui uma criança que sonhava muito alto. Quando não era o Ídolos, era o programa da Xuxa, o Raul Gil, a Malhação, o BBB. Sempre era alguma coisa grande”, lembra.

Foi na igreja que ela descobriu a própria voz. “Ali eu vi que eu sabia cantar mesmo, porque as pessoas davam retorno. Mas não tinha nada de ego, era uma coisa mais espiritual.” Quando a música voltou para a vida dela, parecia que nunca tinha saído. “Eu sempre quis, só não sabia como.”



De Nega a Letzya

A mudança de nome veio depois da maternidade. “A Nega sempre foi um lado que veio de fora, meu apelido. Depois que virei mãe, comecei a sentir que eu precisava ser mais eu, viver uma coisa só minha, no meu tempo, do meu jeito, com as minhas escolhas.”

Para ela, o novo nome também marca um recomeço. “Eu quis deixar para trás coisas que vinham de decisões que não foram só minhas, coisas que montaram para mim. Tanto que hoje é sem produtora, no meu tempo. O que eu levei foi mais confiança em mim.”


“Loucura”



A música fala de perder um pouco a paz por alguém. “Acho que todo mundo já viveu isso. Aquele momento em que você se entrega, sente que a conexão é forte, a química. E quase sempre são coisas de momento. Por isso a música tem uma intensidade que começa ali e morre ali. É uma conexão mais carnal, mais quente, mais sensual.”

Ela explica que a faixa mistura desejo com a vontade de viver aquilo por inteiro. “Não é só sobre desejo, mas sobre a intensidade que existe quando você sente que aquela pessoa consegue despertar um lado seu que talvez ninguém mais consiga.” A entrega aparece na letra como uma decisão. É a vontade de ser daquela pessoa naquele momento, “não como posse, mas como escolha”.

A escolha de “Loucura” para abrir essa fase tem a ver com o momento em que ela foi escrita. “Eu escrevi ela já nesse momento novo da minha vida. Ela traz um pouco da minha nova identidade e tem a ver com o estilo que eu gosto hoje. Mas é só o começo.”




A música na vida real

Hoje, Letzya trabalha de segunda a sexta, cursa Direito, dá aulas de inglês e cuida da filha. Quando perguntamos onde a música cabe nessa rotina, ela respondeu: “Cabe dentro de mim. Todo momento que eu tenho, eu me aproximo dela, me conecto e acredito.” Para ela, esse retorno significa leveza.

Ser mãe não mudou tanto o jeito de compor, mas mudou a forma como ela enxerga a carreira. “Hoje é sobre o futuro da minha família, da minha filha. Antigamente eu me distraía muito. Quando a gente tem um alvo, a maternidade deixa ele muito mais concreto, e a busca também.”

Ser independente, diz ela, exige responsabilidade. “A independência traz a certeza das escolhas: do que eu quero, de quem eu sou, do que eu quero fazer e quando. É a minha vida, a minha carreira, o meu tempo. Só que a responsabilidade é muito maior.”

As outras frentes também chegam à música. “O Direito me traz foco, determinação e um olhar mais profundo para as coisas. Também me dá clareza sobre os meus direitos como artista, e o estudo ninguém tira de você. O inglês traz universalidade, para a música e para as conexões. E dar aula é outro jeito de me conectar com as pessoas.”


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